Herberto Helder por Tomás Taveira

Desde o 1º ano da escola, que o «antigo» me fascinava. O primeiro trabalho que fiz foi sobre as cidades, ditas de colonização, no Egipto Antigo – as cidades que foram feitas para albergar os escravos, que iriam construir as pirâmides. A minha ligação à história vem desde o início. … Como é que eu chego à história depois de uma maneira mais evoluída e antes de 1967? Por um lado, tive uma influência brutal do Herberto Helder, convivi com ele em Santarém; estava na tropa, e ele cuidava de uma biblioteca itinerante da Gulbenkian. Foi-me apresentado pelo Fernando Assis Pacheco, que teve também uma grande influência na minha evolução cultural. O Assis Pacheco tinha uma biblioteca incomensurável, que era do pai. Quase toda a literatura americana que li, foi-me emprestada por ele; estamos a falar de 1960/1962. Lia um livro por dia; se não lesse, ele levava-o, era um louco, fantástico. O Herberto, por outro lado, disse-me uma coisa interessantíssima que tenho aqui transcrita: «A arquitectura não é uma coisa natural, é uma coisa que vem do pensamento, tem de ser adaptada à história e ao local». Disse-me isto no primeiro dia que o conheci. E tal ficou registado no meu cérebro, é uma das chaves da minha evolução.

Tomás Taveira, in Jorge Figueira, Reescrever o Pós-Moderno, Porto, Dafne Editora, 2011, pp. 141-142.

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