«Pátria», por António Gancho

Pátria lusa difusa
arguta, e escuta a hipotenusa
das raças. Asas, face, rosto e nação
a pátria é a nação quando há pão.
Pátria nacional, pátria do nosso pai,
Portugal, com força de aço
serás arguta, lusa pátria,
pátria lusa só nossa
e até onde se possa
abrangerás.
À saciedade a paz do espírito,
a paz e só a paz
a paz das almas também
que já morreram
que Deus tem
a paz entre as oliveiras
a dignidade das maneiras
a paz dos dias das horas entre as horas
os dias pelas noites fora
demora atenta e que é em seu tempo achada
a paz, país, Portugal,
pátria endeusada que é nossa, nacional,
a paz pode-se dar
é entre as oliveiras
num homem ao desmaiar até
de múltiplas maneiras
na sede que há no mar
na fé em ti depois por secular que és
nós juntos a teus pés
diremos
pátria país meu pai meu Portugal
diz que diz que é bem não fazer o mal
país meu e de meu pai
seu primeiro pedestal
por Portugal depois
por pátria primeiro pois
assim e assim e sempre assim
por fim são dois
país e Portugal, pátria
sois propriamente o sal.

António Gancho, O Ar da Manhã, Lisboa, Assírio & Alvim, 1995, pp. 167-8.