Guimarães Rosa lido por Clara Rowland

Um livro sobre Guimarães Rosa é sempre um acontecimento. Porque não pode deixar de ser a celebração de uma ideia forte de literatura, de escrita e de livro. Mais ainda se a sua autora for Clara Rowland, professora de literatura brasileira na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, e se o livro tiver a chancela de duas das grandes editoras universitárias do Brasil, a editora da Unicamp e a EduspA Forma do Meio, agora mesmo publicado, é um desses casos, pelo que só temos razões para nos alegrarmos com esta edição, tanto mais que ela surge no momento em que o grande livro de Carlos Mendes de Sousa sobre Clarice Lispector é enfim editado no Brasil, o que cria um contexto realmente novo para o estudo da literatura brasileira em Portugal. Como incentivo à leitura do livro de Clara Rowland, eis as palavras que Abel Barros Baptista escreveu para o verso da capa:

A forma do meio é um estudo sobre a obra de Guimarães Rosa que enfrenta em novos termos problemas decisivos e complexos como a relação da forma do livro e do romance com a oralidade e a narrativa tradicional. Isso chegaria a sublinhar a importância deste trabalho notável. Mas há ainda a enorme inteligência da análise de uma questão, a do livro, que, sendo crucial na obra de Rosa, está praticamente ausente na sua fortuna crítica. Não se trata apenas de mais um ensaio sobre Rosa: não só não recusa a tradição de leitura, como nela se integra de modo que obriga a repensá-la radicalmente. É, em suma, um daqueles maravilhosos sobressaltos que fazem o destino da grande literatura.