ja’pu’vawqoy


puqloDwI’ ja’pu’vawq Dayep
pe’vIl chop Ho’Du’Daj; pe’vIl Suq pachDu’Daj
Ha’DIbaH puv juchyub yIyep
bInDepSuHach vaQeHmuS ghombe’ DanIDjaj

‘etlhDaj veSpatlh HujtaH ghopDaj–
jagh HoSlaw’ law’ veqlargh Hos puS! nIteb nej nI’
vaj Sor tamtam, ghaH retlhDaq Qam
nI’be’ leSlI’ ghah (Sor retlhDaq) ‘ej ghaH QublI’

Tradução (incompleta) para o idioma do Império Klingon por Keith Lim

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Chabbawaaki

Bilillik onahma_, tofi alhiihat waybi no_tama_
Kayli-chah kimbala-sh ma_yattook.
Bolokoofat mimsit tahanah
Laalhi alhiilha moomat pit kalabattook.

Tradução fragmentária para choctaw (idioma dos nativos americanos dos estados do sudeste: Mississippi, Florida, Alabama e Luisiana) por Aaron Broadwell

‘Armário de especiarias e ervas aromáticas’

Cerefólio manjerona
malagueta benjoim
noz-moscada cardamomo
salsa sândalo alecrim

erva-doce piripiri
cravinho canela em pau
gengibre menta tomilho
pimpinela colorau

mostarda pó de chili
salva cominhos pimenta
basílico salsifri

zimbro funcho açafrão
orégãos coentros caril
azedas louro estragão

Jorge Sousa Braga, O Segredo da Púrpura (1991)

«Aniversário», José Ángel Valente

Não compreenderás
para que é que voltei.
Talvez, aí deitada,
não compreendas
nada do que vive.
Voltei, apesar de tudo,
para falar-te outra vez.
(Está molhada
e limpa a colina.)
Ainda te vejo
com o rosto de sempre
e os cabelos, em seu reino
de fumo, algo encanecidos.
Não tenho olhos
para mais. Não és
talvez assim e é isso a morte.

Voltei para te falar.
Estou aqui. Não compreendes
nada. Esqueci-te
tanto e consegui
esquecer-te tão pouco.
Estou alegre: às vezes
não me recordo de ti
(também isso é a morte?).
Não sei se me compreendes,
nem sequer
se estás aqui ou deslizas
por um ar que nunca
pesou sobre a minha boca.

(A colina, apesar de tudo,
está quieta debaixo do céu
tal como dantes.)
Mas ouve-me se puderes.
Num dia como o de hoje
caiu a neve,
arrebatadora. Eu cumpro,
inutilmente, o rito. Mas não importa;
não podes compreender-me.
Tudo foi cortado.

Poema incluído em A modo de esperanza (1954). Tradução de OMS.

Notas sobre Luís Quintais (V)

Tanto assim que a temporalidade introduzida pela criança só é resgatável em sede mítica e mágica. Porque, de resto, como se diz no poema «Régua», de Angst, «Uma fotografia do teu filho aos dois anos / não é régua com que meças o tempo». A verdadeira régua do tempo é a azagaia do poema «Azagaia, árvore, sombra» do livro de estreia de Quintais, esse «objecto nobre» que, como a sombra da árvore da casa africana da infância «se soltou das contingências de lugar e luz // para viajar no eterno». Esta questão regressa de modo impositivo no grande poema «Breve história do tempo», de Angst, que começa assim:

Vejo numa extensão de líquenes
traços de carros, caminhos
para o que se afigura irrecuperável.

Carros puxados por animais (bois,
Cavalos?) cruzando-se com os 4 por 4
(Land Rover?)

O antropólogo em Quintais lê o tempo na natureza e na inscrição do humano nela: líquenes, sulcos de carros de bois e jipes. Os tempos sobrepõem-se, líquenes e sulcos sobreviver-nos-ão:

Somos interlocutores do eterno,
pensei eu. Todos os tempos se cruzarão

neste lugar como a fúria da ígnea lava
descendo a encosta e revolvendo tempos
em outro lugar. Toda a terra terá

o rosto da mesma terra e a cor
do mesmo movimento. No passado vive o presente
e o futuro, e os carros a tracção animal

cruzam-se sem cessar,
nos limites deste mundo,
com os 4 por 4.

O título borgesiano do poema, destilando a sua peculiar ironia, não se traduz contudo em alegoria, mas antes em imagens: o poeta olha e descreve uma sobreposição de linguagens que são tempos (ou tempos que são inscrições materiais, isto é, linguagens). No seu poema mais adorniano, o já referido «A inútil poesia», e sob o pano de fundo do Holocausto, Quintais aborda as antinomias do «dever de memória» perguntando «Como esquecer? Como não esquecer?» e refere lugares – Varsóvia, Treblinka, aldeias – onde «nomes se perfilam / num vórtice de tempos que se abrem noutros tempos /e gritos se abrem noutros gritos». Em «Breve história do tempo» estamos antes no universo do poema «Nuvens» que propus como entrada nesta poesia. O mundo material cruza e sobrepõe as inscrições de natureza e cultura, problematiza-se e indecide-as: «todos os tempos se cruzarão», «No passado vive o presente / e o futuro». O poeta-antropólogo reage à densidade do mundo com uma espécie de «descrição densa», mas agora em versão não discursiva mas elíptica, vale dizer, por imagens. A imagem, porém, deflagra apenas nos limites – «os carros a tracção animal / cruzam-se sem cessar, / nos limites deste mundo, / com os 4 por 4» – pois é aí que mora a poesia enquanto pressão sobre o visível e improvável ocorrência daquilo que mora no limite do nosso mundo, isto é, para lá dos limites da linguagem (sem esta derrogação de Wittgenstein a poesia tem dificuldade em vir à existência). Esses limites nos quais, ou para lá dos quais, «somos interlocutores do eterno» e nos quais vemos as nuvens que são arrastadas no céu, «violentamente arrastadas, na direcção sudeste, / filtrando a luz do sol em obsessiva correria».

[Texto lido no Centro Cultural de Belém, a 22 de Março de 2008, no âmbito das comemorações do Dia Mundial da Poesia]

Antiguidades de hoje (VII)

Epigrama

Uma criança inocente
A um padre «papá» chamava,
E a mãe – do marido ausente –
Com a criança ralhava:

Castiga o marido, um dia,
Do inocente a singeleza,
E brada o padre, que o via:
«Deixe obrar a natureza!»

Faustino Xavier de Novais, Novas Poesias, Porto, Ernesto Chardron, Editor, 1881.