ja’pu’vawqoy


puqloDwI’ ja’pu’vawq Dayep
pe’vIl chop Ho’Du’Daj; pe’vIl Suq pachDu’Daj
Ha’DIbaH puv juchyub yIyep
bInDepSuHach vaQeHmuS ghombe’ DanIDjaj

‘etlhDaj veSpatlh HujtaH ghopDaj–
jagh HoSlaw’ law’ veqlargh Hos puS! nIteb nej nI’
vaj Sor tamtam, ghaH retlhDaq Qam
nI’be’ leSlI’ ghah (Sor retlhDaq) ‘ej ghaH QublI’

Tradução (incompleta) para o idioma do Império Klingon por Keith Lim

Chabbawaaki

Bilillik onahma_, tofi alhiihat waybi no_tama_
Kayli-chah kimbala-sh ma_yattook.
Bolokoofat mimsit tahanah
Laalhi alhiilha moomat pit kalabattook.

Tradução fragmentária para choctaw (idioma dos nativos americanos dos estados do sudeste: Mississippi, Florida, Alabama e Luisiana) por Aaron Broadwell

‘Armário de especiarias e ervas aromáticas’

Cerefólio manjerona
malagueta benjoim
noz-moscada cardamomo
salsa sândalo alecrim

erva-doce piripiri
cravinho canela em pau
gengibre menta tomilho
pimpinela colorau

mostarda pó de chili
salva cominhos pimenta
basílico salsifri

zimbro funcho açafrão
orégãos coentros caril
azedas louro estragão

Jorge Sousa Braga, O Segredo da Púrpura (1991)

Marina Abramovic: ‘Manifesto sobre a vida do artista’

1. a conduta de vida do artista:

– o artista nunca deve mentir a si próprio ou aos outros- o artista não deve roubar ideias de outros artistas
– os artistas não devem comprometer o seu próprio nome ou comprometer-se com o mercado de arte
– o artista não deve matar outros seres humanos
– os artistas não se devem transformar em ídolos
– os artistas não se devem transformar em ídolos
– os artistas não se devem transformar em ídolos

2. a relação entre o artista e sua vida amorosa:

– o artista deve evitar apaixonar-se por outro artista
– o artista deve evitar apaixonar-se por outro artista
– o artista deve evitar apaixonar-se por outro artista

E passim. Tirado daqui, com todas as vénias à Anita.

Sessão 7 de «Páginas Tantas»: Bernardo Carvalho

Bernardo Carvalho é o convidado da sessão 7 de «Páginas Tantas», iniciativa conjunta do Centro de Literatura Portuguesa da Universidade de Coimbra e do Teatro Académico de Gil Vicente. A sessão terá lugar hoje, 2 de Julho, pelas 18h 30m, no foyer do TAGV. O painel será constituído por Ana Maria Machado e Osvaldo Manuel Silvestre.

Bernardo Carvalho nasceu em Lisboa em 1973.
Aos 5 anos, começou a subir à prateleira do pai para ler todos os livros de banda desenhada que encontrava.
Aos 10, atropelou uma velhota na sua bicicleta amarela e os remorsos e a culpa nunca mais o largaram.
Aos 17, os testes psicotécnicos indicaram “92% ar livre”.
Aos 19, entrou para o Curso de Design de Comunicação da Faculdade de Belas Artes de Lisboa, mas a certa altura resolveu sair (os testes psicotécnicos tinham razão).
Por essa altura fez o Curso de Desenho na Sociedade de Belas Artes.
Aos 22 anos entregava empadas em cafés numa carrinha, mas foi despedido por justa causa (“esmagamento e furto de empadas” constava no processo).
Foi assim que começou a sua carreira de desenhador.
Em 1999, fundou o Planeta Tangerina.
Desde então ganhou vários prémios:
Menção Honrosa no “Best Book Design From All Over the World” da Leipzig Foundation; “Melhor Livro Editado” no CJ Picture Book Festival da Coreia; Titan Awards; Prémio Nacional de Ilustração 2010; “Melhor Livro” Banco del Libro (Venezuela); Nomeação para a Lista de Honra do IBBY.

Livros a apresentar na sessão 7 de «Páginas Tantas»

Ficção

● Iris Murdoch, Sob a Rede (trad. Maria de Lourdes Guimarães), Lisboa, Relógio D`Água, 2011. ISBN 9789896412418.

● Fernando Pessoa, O Mendigo e outros contos, Lisboa, Assírio & Alvim, 2012. ISBN 978-972-0-79304-1

● Fernando Pessoa, Contos Completos, Lisboa, Antígona, 2012. ISBN 978-972-608-223-1

Poesia

● Giovanni Testori, Três Prantos (Miguel Serras Pereira), Lisboa, Assírio & Alvim, 2012. ISBN 978-972-37-1622-1.

● Jorge Sousa Braga, O Novíssimo Testamento e outros poemas, Lisboa, Assírio & Alvim, 2012. ISBN 978-972-0-79303-4

Ensaio

● Hans Magnus Enzensberger, O Afável Monstro de Bruxelas (trad. Júlia Ferreira e José Cláudio), Lisboa, Relógio d’Água Editores, 2012. ISBN 978-989-641-292-0.

● Jacques Rancière, A Noite dos Proletários. Arquivos do sonho operário, Lisboa, Antígona, 2012. ISBN 978-972-608-220-0

Literatura infantil

● Manuel António Pina, O Têpluquê e outras histórias, ilustrações de Bárbara Assis Pacheco, Lisboa, Assírio & Alvim, 2012. ISBN 978-972-0-78661-6

Bernardo Carvalho na sessão nº 7 de «Páginas Tantas»

Recordamos que a sétima sessão de Páginas Tantas, a ter lugar no próximo dia 2 de Julho, no TAGV, pelas 18h 30m, terá como convidado o ilustrador, e fundador da editora Planeta Tangerina, Bernardo Carvalho (reproduzimos acima um auto-retrato do autor). Acompanhando a sessão, algumas ilustrações de Bernardo Carvalho serão expostas no foyer do teatro.

Sessão 6 de «Páginas Tantas»: Álvaro Domingues

Álvaro Domingues é o convidado da sessão 6 de «Páginas Tantas», iniciativa conjunta do Centro de Literatura Portuguesa da Universidade de Coimbra e do Teatro Académico de Gil Vicente. A sessão terá lugar hoje, 4 de Junho, pelas 18h 30m, no foyer do TAGV. O painel será constituído por Osvaldo Manuel Silvestre e Ricardo Namora.

Álvaro Domingues nasceu em Melgaço, em 1959. Licenciou-se em Geografia na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, instituição na qual se doutorou em Geografia Humana em 1994. As suas áreas de interesse particular têm sido a Geografia Urbana, o Urbanismo, a Paisagem, os Territórios e as Políticas Urbanas e Culturais. É Professor Associado da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP) e investigador do Centro de Estudos de Arquitectura e Urbanismo da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (CEAU-FAUP). Foi Professor Convidado da Universidade Federal do Rio de Janeiro e da Universidade de Granada e leccionou já na pós-graduação do Departamento de Arquitectura da Universidade de Coimbra. Recebeu o Prémio Caixa Geral de Depósitos e Associação Portuguesa de Desenvolvimento Regional pelo melhor trabalho nacional sobre desenvolvimento regional, publicado durante os anos 1994-1996.

Com A Rua da Estrada (Dafne, 2010) e Vida no Campo (2011) iniciou a publicação de uma tetralogia sobre o Portugal contemporâneo, centrada nas noções de «paisagem transgénica» e «desruralização», que vem tendo grande impacto público.

Livros a apresentar na sessão 6 de «Páginas Tantas»

Ficção

● Gonçalo M. Tavares, Short Movies, Lisboa, Caminho, 2011. ISBN 978-972-21-2459-1

Poesia

● Manuel António Pina, Todas as Palavras. Poesia reunida, Lisboa, Assírio & Alvim, 2012. ISBN 978-972-0-79293-8

Ensaio

●  Jacques Rancière, O Espectador Emancipado (trad. José Miranda Justo), Lisboa, Orfeu Negro, 2010 [2008]. ISBN 978-989-8327-06-2.

●  Delfim Sardo, Obras-Primas da Arte Portuguesa – Século XX – Artes Visuais, Lisboa, Athena, 2011. ISBN 978-989-31-0023-3.

● Georges Didi-Huberman, Imagens apesar de tudo, Lisboa, KKYM, 2012. ISBN 978-989-97684-1-3

Mário de Carvalho voa na net

Um dos grandes escritores portugueses dos nossos dias está agora online, aqui. A visitar, como diria um dos mestres do vernáculo e da literatura portuguesa mais prezados pelo nosso autor, com mão diurna e nocturna.

«Estranhar Pessoa com as Materialidades da Literatura»: no próximo dia 25, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra

Mais informações aqui.

Para os resumos das comunicações e notas curriculares dos palestrantes, ver aqui.

Como avaliar e distinguir o mérito em Ciências Humanas?

De fato, sem a reflexão formadora das Humanidades, não há universidades, mas apenas escolas politécnicas, centros de pesquisa ou escolas de tecnologia. E é nosso papel fazer com que saibam e que vejam, na reivindicação de respeito à especificidade e diversidade nas formas de conceber e produzir o conhecimento, não um complexo de inferioridade de um saber menor, que estaria apenas reivindicando atenção ou afrouxamento de critérios de rigor, mas um gesto de recusa a uma concepção de saber e de mérito demasiado estreita e, a rigor, desprovida de seriedade filosófica e perspectiva histórica.

Eis um texto fundamental de Paulo Franchetti, professor na Unicamp, sobre «Paradigmas do Mérito em Ciências Humanas». E sobre a diferença de critérios de avaliação em ciências humanas e nas tecnociências, questão a abordar sem receios nem complexos de inferioridade.

Para ler e discutir pelo maior número de pessoas possível.

Sessão 5 de «Páginas Tantas»: Jacinto Lucas Pires

© João Tuna

Jacinto Lucas Pires é o convidado da sessão 5 de «Páginas Tantas», iniciativa conjunta do Centro de Literatura Portuguesa da Universidade de Coimbra e do Teatro Académico de Gil Vicente. A sessão terá lugar hoje, pelas 18h 30m, no foyer do TAGV. O painel será constituído por Osvaldo Manuel Silvestre e Ricardo Namora.

Autor de uma já vasta obra dividida pelo teatro e pela ficção, iniciada em livro em 1996 com o volume de contos Para averiguar do seu grau de pureza, Jacinto Lucas Pires tem livros e peças de teatro traduzidos em espanhol, croata, tailandês, francês, inglês, norueguês. Desde a sua estreia como dramaturgo, com Universos e Frigoríficos (1998), trabalhou com alguns dos mais relevantes encenadores portugueses. Este ano, escreveu o monólogo Adalberto Silva Silva para o ator Ivo Alexandre. Esse “espetáculo de realidade” estreou no Teatro Académico Gil Vicente, em Coimbra, no dia 23 de fevereiro.

Realizou duas curtas-metragens, Cinemaamor (1999) e B.D. (2004).

Faz parte, com Tomás Cunha Ferreira, da banda Os Quais – que lançou um Meio disco em 2009 e este ano lançará um disco inteiro chamado Pop é o contrário de pop.

Foi-lhe atribuído em 2008, pela Universidade de Bari/ Instituto Camões, o Prémio Europa – David Mourão-Ferreira.

O seu último livro foi o romance O verdadeiro ator, em 2011.

Livros a apresentar na sessão 5 de «Páginas Tantas»

Ficção

● Clarice Lispector, O Lustre, Lisboa, Relógio d’Água, 2012. ISBN 978-989-641-283-8

● Clarice Lispector, Água Viva, Lisboa, Relógio d’Água, 2012. ISBN 978-989-641-284-5

● Jorge Luis Borges, História da Eternidade, Lisboa, Quetzal, 2012. ISBN 978-972-564-992-3

● Jorge Luis Borges, O Livro de Areia, Lisboa, Quetzal, 2012. ISBN 978-972-564-993-0

Poesia

●  Edgar Allan Poe, Obra Poética Completa (tradução, introdução e notas de Margarida Vale de Gato; ilustrações de Filipe Abranches), Lisboa, Tinta da China, 2009. ISBN 978-972-8955-93-9.

Entrevista

● Carlos Vaz Marques (selecção e tradução), Entrevistas da Paris Review (2ª edição), Lisboa, Tinta da China, 2010. ISBN 978-989-671-014-9.

Ensaio

● Carlos Mendes de Sousa, Clarice Lispector. Figuras da Escrita, São Paulo, Instituto Moreira Salles, 2011. ISBN 978-85-86707-72-8

● Helena Vasconcelos, Humilhação e Glória, Lisboa, Quetzal Editores, 2012. ISBN 978-972-564-994-7.

Guimarães Rosa lido por Clara Rowland

Um livro sobre Guimarães Rosa é sempre um acontecimento. Porque não pode deixar de ser a celebração de uma ideia forte de literatura, de escrita e de livro. Mais ainda se a sua autora for Clara Rowland, professora de literatura brasileira na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, e se o livro tiver a chancela de duas das grandes editoras universitárias do Brasil, a editora da Unicamp e a EduspA Forma do Meio, agora mesmo publicado, é um desses casos, pelo que só temos razões para nos alegrarmos com esta edição, tanto mais que ela surge no momento em que o grande livro de Carlos Mendes de Sousa sobre Clarice Lispector é enfim editado no Brasil, o que cria um contexto realmente novo para o estudo da literatura brasileira em Portugal. Como incentivo à leitura do livro de Clara Rowland, eis as palavras que Abel Barros Baptista escreveu para o verso da capa:

A forma do meio é um estudo sobre a obra de Guimarães Rosa que enfrenta em novos termos problemas decisivos e complexos como a relação da forma do livro e do romance com a oralidade e a narrativa tradicional. Isso chegaria a sublinhar a importância deste trabalho notável. Mas há ainda a enorme inteligência da análise de uma questão, a do livro, que, sendo crucial na obra de Rosa, está praticamente ausente na sua fortuna crítica. Não se trata apenas de mais um ensaio sobre Rosa: não só não recusa a tradição de leitura, como nela se integra de modo que obriga a repensá-la radicalmente. É, em suma, um daqueles maravilhosos sobressaltos que fazem o destino da grande literatura.

Meditações tempestivas do Sr. Kraus (I)

Depois das eleições

Depois de qualquer eleição a sensação dos políticos – quer tenham perdido quer tenham ganho – é a de que o povo mais profundo acaba de entrar todo num comboio, dirigindo-se, compactamente, para uma terra distante. Esse povo voltará apenas, no mesmo comboio, nas semanas que antecedem a eleição seguinte.

Esse intervalo temporal é indispensável para que o político tenha tempo para transformar, delicadamente, o ódio ou a indiferença em nova paixão genuína.

Gonçalo M. Tavares, O Senhor Kraus, Lisboa, Caminho, 2005, p. 64.

Antiguidades de hoje (VII)

Epigrama

Uma criança inocente
A um padre «papá» chamava,
E a mãe – do marido ausente –
Com a criança ralhava:

Castiga o marido, um dia,
Do inocente a singeleza,
E brada o padre, que o via:
«Deixe obrar a natureza!»

Faustino Xavier de Novais, Novas Poesias, Porto, Ernesto Chardron, Editor, 1881.

«Mais um dia de vida»: Ryszard Kapuscinski em versão de cinema de animação

A estreia está prevista para o Outono de 2014, mas pela amostra – um breve teaser – promete ser um caso sério. Falamos da adaptação, por Raúl de la Fuente, do romance homónimo do famoso repórter polaco, com acção situada em Angola durante o período de guerra civil, com invasão sul-africana, que coincide com a independência em 1975. Com financiamento repartido por Espanha e Polónia, e recorrendo a imagens de animação mas também a imagens «reais», o filme será previsivelmente um dos acontecimentos de 2014. O teaser, e informação complementar, aqui.

«História Natural», Carlos Drummond de Andrade

Cobras cegas são notívagas.
O orangotango é profundamente solitário.
Macacos também preferem o isolamento.
Certas árvores só frutificam de 25 em 25 anos.
Andorinhas copulam no vôo.
O mundo não é o que pensamos.

Carlos Drummond de Andrade, in Corpo, RJ, Record, 2002, p.33.

«O Kazukuta» (excerto), Ondjaki

Um dia era de tarde e vi o tio Joaquim dar banho ao Kazukuta. Um banho de demorar. Fiquei espantado: o tio Joaquim que ficava até tarde a ler na sala, o tio Joaquim que nos puxava as orelhas, o tio Joaquim silencioso, como é que ele podia ficar meia hora a dar banho ao Kazukuta?

Lembro o Kazukuta a adorar aquele banho, deve ser porque era um banho sincero, deve ser porque o tio punha devagarinho frases ao Kazukuta, e ele depois ia adormecer. Kazukuta: lembro bem os teus olhos doces a brilhar tipo um mar de sonho só porque o tio Joaquim – o tio Joaquim silencioso – veio te dar banho de mangueira e te falou palavras tranquilas num kimbundu assim com cheiros da infância dele.

E demorou. Nós já estávamos quase a parar a nossa brincadeira. Porque afinal a água caía nos pêlos do Kazukuta, e os pêlos ficavam assim coladinhos ao corpo, e virados para baixo como se já fossem muito pesados, e a água acabou, não tinha mais, e mesmo sem fechar a torneira o tio Joaquim, com a mangueira ainda a pingar as últimas gotas dela, e no regresso do Kazukuta à casota, depois daquele abano tipo chuvisco de nós rirmos, o tio Joaquim deu a notícia que tinha demorado aquele tempo todo para falar:

– Meninos, a tia Maria morreu.

Até tive medo, não daquela notícia assim muito séria, mas do que alguém perguntou:

– Mas podemos continuar a brincar só mais um bocadinho?

O tio largou a mangueira, veio nos fazer festinhas.

– Sim, podem.

Vi um sorriso pequenino na boca do tio Joaquim. Às vezes ele aparecia no quintal sem fazer ruído e espreitava a nossa brincadeira sem corrigir nada. Olhava de longe como se fosse uma criança quieta com com inveja de vir brincar connosco.

O tio Joaquim era muito calado e sorria devagrinho como se nunca soubesse nada das horas e das pressas dos outros adultos. O tio Joaquim gostava muito de dar banho ao Kazukuta.

Odnjaki, «O Kazukuta», in Os da minha rua, Lisboa, Leya, BIS, 2010. 3ª ed., pp. 22-23.

Antiguidades de hoje (VI)

Os Lusíadas

Os Lusíadas estão como na hora!
Três séculos e nada,
Nem uma letra única apagada!
Porque a gente decora,
E nem os vermes comem
Não traçam, não consomem
Uma obra inspirada,
Suma-se o vulto, que a compôs, embora.
Os dons da Divindade
― A beleza, a verdade,
Essa glória de Deus como do homem ―
Raiam e ficam em perene aurora!

João de Deus, Campo de Flores, 1893.

Dicionário Improvável de Boaventura de Sousa Santos

A

Apropriação

B

Bens comuns da humanidade

C

Cidadania cultural
Civilização biocêntrica
Colonialismo interno
Conhecimento alternativo
Contra-reforma agrária
Contrato social
Cosmopolitismo insurgente
Cosmopolitismo subalterno
Cultura de fronteira

D

Democracia comunitária
Democracia deliberativa
Democracia participativa
Democracia radical
Democracia representativa
Demodiversidade
Desfinanceirização
Desenvolvimento alternativo
Desenvolvimento democrático
Desenvolvimento sustentável
Desigualdade
Desmercadorizar
Diferença
Diferença inferiorizadora
Diferença não inferiorizadora
Direitos colectivos
Direitos da natureza
Direitos humanos coletivos
Direitos interculturais
Direitos radicais

Continuar a ler

«Setenta anos» (um excerto), por António Barahona

Que Deus nos dê a fé,
a certeza e o equilíbrio, Amin.
Que Deus nos dê alma pra rezar
cinco vezes por dia, Amin.
Que Deus nos dê força na vêrga, Amin.
Que Deus nos dê uma morte serena
sem mêdo do inferno, nem ânsia do paraíso,
mas apenas com vontade de fechar os olhos
e d’escutar Ya-Sin, Amin.

O Som do Sôpro, Lisboa, Poesia Incompleta, 2011, pp. 45-46.

Notícias do ELAB

Sediado na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, e dirigido por Abel Barros Baptista, o ELAB (acrónimo de Laboratório de Estudos Literários Avançados) é uma das boas notícias na área das Humanidades em Portugal nos últimos anos. Aproveitamos, por isso, para divulgar o seu site, chamando a atenção para a próxima realização da III edição das Aulas da Primavera, desta vez dedicadas ao tema «Literatura & Imagens».

Informamos ainda que no próximo dia 25 de Maio terá lugar no Centro de Literatura Portuguesa da Universidade de Coimbra o I Colóquio do Programa em Materialidades da Literatura, em co-organização com o ELAB. Na sequência de um dos projectos do ELAB, o colóquio versará sobre o tema «Estranhar Pessoa com as Materialidades da Literatura». Em breve daremos mais informações sobre o evento.

Paulo Franchetti, sobre a «Poesia Incompleta»

Lembro-me perfeitamente da livraria Poesia Incompleta, de Lisboa. Lá estive uma única vez. Quando tentei voltar, o proprietário, ao que me disseram encantado com o Rio de Janeiro, prolongara as férias e deixara apenas um recado na porta, anunciando a data improvável do retorno ao trabalho.

Mas quando a visitamos, minha mulher e eu, o navio ainda não encalhara. Ia em boa toada, aparentemente.

Sentamo-nos num sofá muito baixo, que nos deixava a impressão de olhar justo por cima dos joelhos, meio à direita da cadeira do proprietário. Changuito se chamava ele ali, no desempenho brilhante da difícil arte de conciliar ar blasé e receptividade calorosa.

À sua frente, como se até ali se estendesse o palco, destacado de nós, a plateia que os mirava de rasante por sobre as rótulas, sentavam-se alguns poetas, em constante entra e sai. Não guardei os nomes, mas lembro-me de que pareciam de fato poetas: algo enigmáticos, falando quase por cifras de outros poetas. Mal, evidentemente, mas não tanto. Um deles, permaneceu todo o tempo exercitando a arte do silêncio significativo. Meditava ou apenas se esforçava por não se interessar pelos demais. Havia outro, mais torturado, mas que ficou pouco tempo.

Como não lhes conhecia a obra, era um espectador isento, interessado sobretudo naquela espécie de teatro Nô, em que as hierarquias e emoções se indiciavam por um piscar de olhos ou um mover de dedo mínimo.

Já o Changuito nada tinha de mistério e por isso aquecia a sala, com o seu cobertor sobre as pernas, funcionando como contraponto ou contracanto ao silêncio misterioso dos que, por vezes, se erguiam e percorriam distraidamente as estantes.

A alma do lugar se posicionava numa parte que um computador e um telefone mostravam ser o escritório e dali irradiava a energia que parecia a ponto de exaurir-se na não conversa dos alinhados do outro lado.

O resto, como se imagina, eram estantes, apinhadas, extravasando. Banheiro, chão, banquinhos: em tudo se derramava a profusão de folhas encadernadas, capas e formas coloridas. Em vários estágios de organização ou desorganização, nelas havia, para o bom procurador, inimagináveis coisas. Changuito as conhecia bastante bem, como seria de esperar. Mas não totalmente, de modo que restava sempre, ao curioso, alguma surpresa a compartilhar com ele.

Mais biblioteca, talvez, que livraria. Mais palco e lugar de encontro e celebração, porventura, do que biblioteca.

Leio agora a notícia de que fechará as portas. Suspeito que Changuito terminará por se estabelecer no Brasil. Tomara que aqui consiga espaço, tempo e livros para montar uma nova casa de poesia.

Enquanto não o faz, minha impressão é que alguma coisa importante e única está ausente. Só uma vez, como disse, lá estive. Mas era bom, dava uma boa sensação saber que um dia, se calhasse, poderia fazer-lhe outra visita.

Um acontecimento: «Notícias da Antiguidade Ideológica», nas Sessões do Carvão


A história é conhecida e integra uma História Alternativa do Cinema: a dos grandes projectos irrealizados. Por 1927, Sergei Eisenstein concebeu o projecto de filmar O Capital, de Marx, a partir da estrutura do Ulisses de Joyce. Nunca levado a cabo, o projecto viria enfim a ser realizado, em 2008, por Alexander Kluge, dando origem a uma obra de 9 horas e meia, com uma estrutura caleidoscópica que tanto recorda o Ulisses como o Livro das Passagens ou o Livro do Desassossego.

A obra será projectada, na íntegra, com entrada livre, no edifício da Casa das Caldeiras, da Universidade de Coimbra, em três sessões, a partir do próximo dia 11 de Abril. Nesse mesmo dia, antecedendo a «maratona» marxiana, projectar-se-á Filme Socialismo, de Jean-Luc Godard. Como aperitivo, propomos a apresentação que o grande escritor argentino Alan Pauls faz do filme, numa sessão de paixão cineclubística (e marxista) em Buenos Aires.

Sessão 4 de «Páginas Tantas»: Boaventura de Sousa Santos

Como anunciámos neste blog, terá hoje lugar pelas 18h 30m, no Teatro Académico de Gil Vicente, a quarta sessão do Páginas Tantas, iniciativa conjunta do TAGV e do Centro de Literatura Portuguesa da Universidade de Coimbra. Será nosso convidado Boaventura de Sousa Santos. O painel será constituído por Ana Maria Machado e Osvaldo Manuel Silvestre.

Cientista social de renome internacional, figura cimeira da teoria crítica contemporânea, fundador e director do Centro de Estudos Sociais, Coordenador Científico do Observatório Permanente da Justiça Portuguesa, autor de vasta obra publicada em várias línguas e países, Professor Catedrático Jubilado da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, intelectual público com uma intervenção cívica já longa, Boaventura de Sousa Santos é uma daquelas pessoas de quem se pode dizer, com toda a propriedade, que dispensa apresentações.

Informamos que, a par da sessão do Páginas Tantas, o TAGV terá a partir de hoje uma pequena exposição dedicada ao nosso convidado.

Livros a apresentar na sessão 4 de «Páginas Tantas»

Ensaio

• Anselmo Borges, Corpo e Transcendência, Coimbra, Edições Almedina, 2011. ISBN 9789724046501

• Rousseau, O Contrato Social (Manuscrito de Genebra), Introdução e notas de João Lopes Alves, Lisboa, Temas e Debates / Círculo de Leitores, 2012. ISBN978-989-644-178-4

• Soren Kierkegaard, Diapsalmata, Lisboa, Assírio & Alvim, 2011. ISBN 978-972-37-1516-3

• Sousa Dias, Grandeza de Marx. Por uma Política do Impossível, Lisboa, Assírio & Alvim, 2011. ISBN 978-972-37-1612-2

Literatura de Viagens

•Almeida Faria, O Murmúrio do Mundo, ilustração de Bárbara Assis Pacheco, Lisboa, Tinta da China, 2012. ISBN 9789896711115

Poesia

Estilhaços e Cesariny, Textos e Poemas de Adolfo Luxúria Canibal e Mário Cesariny ditos por Adolfo Luxúria Canibal, Lisboa e Vila Nova de Famalicão, Assírio & Alvim / Sons e Fundação Cupertino de Miranda, 2011. ISBN 978-972-37-1618-4

Antiguidades de hoje (V)

Num álbum

O poeta é um ente sempre enfermo,
Nas algibeiras nunca tem dinheiro,
Sustenta-se do ar como o pinheiro,
E assim como o pinheiro habita o ermo.

João de Deus, Campo de Flores,  1893.

«O livreiro insolente», por Manuel António Pina

A poesia tem justificada má fama. Chamar poeta a alguém, no Parlamento ou no Estádio da Luz, é maior insulto do que chamar intelectual a Pacheco Pereira, como fez Valentim Loureiro num dia em que se achou mais pachorrento. E temos que convir que, se “ser poeta é” o que Florbela Espanca diz que é e os Trovante andam por aí a “dizê-lo, cantando, a toda a gente”, compreende-se que assim aconteça.

Imagine-se agora que, num determinado “país de poetas”, um insolente livreiro decide abrir uma livraria exclusivamente dedicada à poesia. Era bem feito que lhe chamassem poeta, ou ainda menos. Foi o que aconteceu. Ao fim de mais de três anos a juntar e vender ociosidades numa obscura rua do Príncipe Real, em Lisboa, a livraria “Poesia Incompleta” fechou ontem portas. Ainda por cima sem dívidas, o que hoje é coisa ainda mais insultuoso do que “poeta”.

Alguém deveria ter explicado ao jovem empreendedor Mário “Changuito” Guerra que a única forma de manter durante três anos uma livraria exclusivamente dedicada à poesia e chegar ao fim com uma pequena fortuna é começando com uma grande fortuna. Não foi, obviamente, o caso.

Anunciou o livreiro que irá doar (ou doer, não sei) os milhares de volumes que lhe sobram nas prateleiras ao omniministro Relvas. Só que, tal como “assustar um notário com um lírio branco”, pôr Miguel Relvas ao alcance de Kavafy, Camões e Rilke cai decerto sob a alçada da lei antiterrorista.

[Tirado daqui, com toda a vénia]

Sessão 4 de «Páginas Tantas»: Boaventura de Sousa Santos

Boaventura de Sousa Santos será o convidado da sessão 4 de «Páginas Tantas». Doutorado pela Universidade de Yale (JSD, 1973), é Professor Catedrático Jubilado da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, Distinguished Legal Scholar da Universidade de Wisconsin-Madison e Global Legal Scholar da Universidade de Warwick.

É Director do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, Coordenador Científico do Observatório Permanente da Justiça Portuguesa e membro do Núcleo Democracia, Cidadania e Direito (DECIDe) do CES. É co-coordenador científico dos Programas de Doutoramento em Direito, Justiça e Cidadania no Século XXI, Democracia no Século XXI e Pós-Colonialismos e Cidadania Global.

É autor de uma vasta obra sobre globalização, sociologia do direito, epistemologia, democracia e direitos humanos. Os seus trabalhos encontram-se traduzidos em espanhol, inglês, italiano, francês e alemão.

Recordamos que a sessão terá lugar no próximo dia 2 de Abril, no Teatro Académico de Gil Vicente, pelas 18h 30m.

Ser fiel ao acontecimento, por Sousa Dias

O acontecimento acontece sempre, com efeito, no contexto de certas condições efectivas que, uma vez dado esse acontecer, serão vistas como as condições de possibilidade do próprio acontecer. Mas o acontecimento como tal nunca decorre, ou só decorre por uma parte (a sua parte ‘reactiva’, histórico-contextual, definível por aquilo contra o que reage ou acontece) dessas condições que ele excede na sua parte ‘activa’ ou auto-afirmativa e que, explicando-o ou co-possibilitando-o num olhar retrospectivo, nada explicam. As condições contextuais objectivas em que se dá o acontecimento são ao mesmo tempo as suas condições de possibilidade (visto o acontecimento por referência a posteriori a elas) e as suas condições de impossibilidade (vistas estas a priori por referência ao acontecimento). Elas são as condições de impossibilidade do acontecimento, as condições negativas da vinda do acontecimento que, mesmo depois de ter vindo, e como dizia Jean-Luc Marion atrás citado, permanece impossível, inexplicável, ‘sem razão’. Em linguagem metafísica, ‘ontológica’, um acontecimento deve ser possível segundo o ser sem todavia se lhe reduzir (excedência, incompossibilidade, não-relação). Deve ser um ‘efeito’ do ser, mas um efeito que não decorre do ser como da sua causa, que pelo contrário, ao efectuar-se, ao acontecer, retroage sobre o ser de maneira a determiná-lo, por essa retroacção, como causa. O acontecimento inscreve-se no ser, na ordem positiva do ser, mas é só por essa inscrição ou efectuação, pela sua vinda impossível e incondicionada, que ele determina o ser como sua causa, como condição da sua possibilidade. Ao irromper ou interromper, ao romper a série ‘cosmológica’ do ser, o acontecimento cria a sua própria possibilidade como possibilidade dada no ser. O que abre para o tema, de raiz estóica na história da filosofia, e conceptualizada de forma admirável na filosofia moderna por Deleuze e de novo por Badiou, daquilo a que se poderia chamar a ‘fidelidade ao acontecimento’ (por exemplo ao acontecimento-Marx, à cesura teórico-política de que Marx é o nome próprio). Ser fiel ao acontecimento, ser fiel ao que nos acontece, mesmo ao mais pessoal ou privado do que nos acontece, um amor, uma amizade, um encontro para sempre marcante com um livro ou um filme, algo ou alguém…, é justamente recusar a reinscrição, ou absorção, do acontecimento na ordem (ontológica, histórica, pessoal) do ser, é afirmar o acontecimento como excedência absoluta das condições do ser, do real e do possível, como im-possível extra-ser. É viver o acontecimento como uma ‘graça’, como qualquer coisa de absolutamente único, irredutível pela sua singularidade à ordem causativa do ser, acontecimento-efeito que produz as suas causas, que as explica, lhes dá sentido como causas, em vez do inverso.

Sousa Dias, Grandeza de Marx. Por uma política do impossível, Lisboa, Assírio & Alvim, 2011, pp. 111-112.

Antiguidades de hoje (IV)

Pedido

Meu amigo e senhor. Disse Vocência,
Que uma vez na semana era fatal
À sua mesa o prato nacional,
O pitéu do Brasil por excelência;

Mas preparado de maneira tal,
Por suas próprias mãos, que em consciência
Apesar da real magnificência,
Nunca o imperador provou igual!

Seguiu-se a descrição minuciosa;
Mas temendo passar por indiscreto,
Não me atrevi a dizer nada em prosa;

Em verso o caso é outro; e num soneto
Todo o arrojo é lícito! Uma coisa:
Manda-me um prato do seu feijão preto!?

João de Deus, Campo de Flores,  1893.

Sousa Dias sobre ecologia e multiculturalismo no neocapitalismo global

A ecologia é a nova ideologia em ascenso do capitalismo. A próxima mutação previsível do capitalismo, ainda incipiente mas já em marcha, é a sua transformação nos países pós-industriais em capitalismo verde, ‘amigo do ambiente’. A coisa já começou, através de um novo tipo de marketing visando a nossa ‘sensibilização’. Garantem-nos que se comprarmos o produto x ou o produto y estamos a contribuir para a protecção da Natureza, para a preservação ambiental. Emergência, contra a catástrofe natural (provocada pelo capitalismo), de um neocapitalismo verde, de rosto ecológico, de um ecocapitalismo, tanto quanto de um, correlativo, biocapitalismo, de uma ‘bio-economia’ como capitalismo de rosto humano. Isto é: de um capitalismo revalorizador das actividades de lazer, das actividades relacionais e ‘espirituais’, dos aspectos ‘não económicos’ da vida: o capitalismo, de novo e sempre, como salvação para o capitalismo, para o desastre capitalista, como a ‘ruptura’ histórica necessária, a alternativa a si mesmo, como única saída possível ou único ‘exterior’ do próprio capitalismo. O ‘ambiente’ e as ‘relações sociais’ ou ‘conviviais’ como os centros da economia política (portanto, das políticas económicas) do futuro, uma ‘nova economia’, eco- e bio-, como gestão (lucrativa) da crise planetária e social por auto-reconversão repossibilitadora do sistema provocador da crise. Em suma, um capitalismo ‘responsável’ e, em igual medida, ‘ético’. Mas que, como observa Zizek, deixa intactas, e assim justifica ‘espiritualmente’, as relações capitalistas de produção [1]. E com efeito o paradoxo do novo capitalismo ecológico em ascensão é que, sob o pretexto de querer salvar a Terra, o que ele quer é salvar-se a si nos seus fundamentos enquanto relação necessária e não contingentemente desastrosa com o planeta [2]. Longe de precarizar o capitalismo, como muitos pensam, a catástrofe ambiental abre pelo contrário novas possibilidades ao capitalismo, possibilidades de investimento ‘terapêutico’ tanto maiores e tanto mais lucrativas quanto mais ideologicamente legitimadas pela ecologia, pelo discurso ecologista da ‘salvação do planeta’. Por fim, e tratado como uma nótula de pé de página, o multiculturalismo, a questão das modernas sociedades ‘multiculturais’. Para referir que o multiculturalismo, a cultura multiétnica, não é uma bandeira ética ou social revolucionária. Ao Capital interessam, dentro de certos limites, as imigrações massivas que forcem os trabalhadores ‘nacionais’ a aceitar, por efeito da concorrência dos emigrados, salários mais baixos. O multiculturalismo, tal como no pós-guerra a emancipação feminina, é uma bandeira, sim, mas do capitalismo. É o neocapitalismo global que é profundamente multiculturalista, como o capitalismo pós-1945, por necessidade de mão-de-obra, era profundamente ‘feminista’. A tolerância multiculturalista é mais uma máscara ‘civilizacional’, nestes tempos neoliberais, com que o Capital prossegue a sua barbárie.

[1] SLAVOJ ZIZEK, Après la tragédie, la farce!, p. 58.
[2] COMITÉ INVISIBLE, L’insurrection qui vient, pp. 66-67. 

Sousa Dias, Grandeza de Marx. Por uma política do impossível, Lisboa, Assírio & Alvim, 2011, pp. 99-101.